A morte da turista brasileira Juliana Marins durante uma trilha na Indonésia gerou comoção nas redes sociais e trouxe à tona uma dúvida difícil, mas necessária: o que acontece quando alguém morre em uma viagem internacional? O seguro cobre o traslado do corpo? Quais situações estão de fato amparadas? As respostas não são simples. Mas especialistas ouvidos pela reportagem concordam em um ponto: o seguro viagem pode, sim, oferecer cobertura em situações extremas, desde que o plano contratado esteja adequado ao tipo de viagem e às atividades envolvidas.
Repatriação funerária: uma cobertura essencial, mas pouco discutida
Tanto a GTA quanto a Intermac Assistance confirmam que a cobertura de repatriação funerária — também chamada de traslado de corpo — está presente em todos os planos das empresas. Esse tipo de cobertura é acionado em caso de falecimento no exterior e envolve toda a logística para o retorno do corpo ao país de origem, incluindo documentação e transporte.
“É importante entender que essa é uma cobertura distinta das despesas médicas. Um mesmo plano pode ter limites diferentes para emergência hospitalar, repatriação sanitária e traslado de corpo”, explica Celso Guelfi, presidente da GTA.
Laís Aoki, COO da Intermac Assistance, reforça a importância de considerar o tipo de destino e o roteiro antes da contratação: “A cobertura existe, mas precisa ser compatível com os riscos da viagem. Por isso, é essencial conversar com um especialista e ler atentamente as condições gerais.”
Atividades de aventura: estão cobertas?
Com o crescimento de viagens mais livres, como mochilões, trilhas e experiências em meio à natureza, é comum a dúvida sobre o que é ou não coberto pelo seguro. Segundo as seguradoras, atividades realizadas de forma recreativa e com empresas regulamentadas costumam estar incluídas. Isso vale para trilhas, balonismo e até esportes como esqui, desde que praticados em locais autorizados.
“Montanhismo acima de 3.000 metros, por exemplo, pode ser uma exclusão em alguns planos. Mas há produtos específicos para esse tipo de atividade, que devem ser contratados com antecedência”, afirma Guelfi.
O alerta é unânime: o problema não está necessariamente na atividade, mas nas condições em que ela é feita. Empresas não autorizadas, falta de equipamentos adequados ou ausência de regulamentação podem comprometer a validade do seguro.
“Muitos mochileiros acreditam que não precisam de seguro, mas estão expostos a uma série de riscos. Um plano adequado pode fazer toda a diferença, especialmente em roteiros longos ou que fogem do circuito tradicional”, completa Laís Aoki.
O que não está coberto?
Mesmo nos planos mais completos, há exclusões importantes que variam entre seguradoras. As mais comuns envolvem:
- Prática de esportes de risco elevado ou em competições;
- Atividades realizadas com empresas não regulamentadas;
- Doenças preexistentes não declaradas;
- Acidentes causados por imprudência ou violação de leis locais.
Por isso, os especialistas reforçam: é fundamental ler as Condições Gerais da apólice. É ali que estão os limites de cobertura, as regras de uso e os critérios que determinam o que pode, ou não, ser reembolsado em situações extremas.
Tendência global: seguro como exigência de entrada
Após a pandemia, muitos países passaram a exigir seguro viagem como condição para entrada, especialmente aqueles em que o sistema de saúde público não contempla turistas. “A Argentina já exige cobertura médica mínima. O Japão estuda medida semelhante. Isso mostra que o seguro deixou de ser um item opcional e passou a fazer parte da estrutura da viagem”, aponta Guelfi.
Mais do que proteger o viajante, o seguro ajuda a preservar os sistemas de saúde locais e evita que emergências se tornem dívidas impagáveis para famílias no exterior.
Planejamento seguro
Mais do que um requisito burocrático, o seguro é um cuidado com quem viaja, e com quem fica. Ele não serve só para emergências médicas, mas para garantir apoio e dignidade quando as coisas fogem do esperado.
Falar sobre isso pode ser desconfortável, mas é necessário. Porque planejar uma viagem também envolve responsabilidade e, mesmo nas situações mais difíceis, um bom seguro faz diferença: não elimina a dor, mas oferece suporte, respeito e amparo.
Fonte: Mercado & Eventos
Foto: Canva




