Descubra se é seguro sair do país, quais são os seus direitos e onde há maior risco de contágio

Quem tem viagem marcada para as próximas semanas enfrenta uma dúvida: é seguro viajar em meio a tantos casos de coronavírus?

A doença atingiu com mais força a Europa desde a semana passada. A Itália já é o terceiro país com mais casos da doença (528), e registrou 14 mortes até a última quinta-feira (27/02).

Há também casos em outros destinos populares entre os brasileiros, como Reino Unido (15), França (18), Alemanha (26), Estados Unidos (60) e Coreia do Sul (1.766).

A confirmação na terça, 25/02, do primeiro caso no Brasil – um brasileiro de 61 anos que viajou ao norte da Itália – aumentou a preocupação entre os turistas.

Além do possível contato com portadores da doença durante os passeios, quem viaja fica sujeito a algumas horas de transporte em espaço confinado com outras pessoas. Seja em avião, ônibus, trem ou cruzeiro, o isolamento aumenta o risco de um possível contágio.

Na quarta-feira, 26/02, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que as pessoas devem avaliar a necessidade de viajar para países com muitos casos da doença e que não há como fechar fronteiras em um mundo globalizado.

“A regra continua sendo a mesma: se você tem sintomas como febre, é melhor não viajar”, disse. “Se está vindo de áreas como a Europa e a China e tiver tosse, coriza, febre, procure uma unidade de saúde.”

A taxa de letalidade do vírus é de 2% a 3%, e, segundo Mandetta, ele é menos grave do que o H1N1. Os maiores afetados, até o momento, têm sido idosos e pessoas com problemas de saúde que comprometam o sistema imunológico.

A forma de se proteger do vírus é evitar o contato com pessoas que têm a doença, evitar tocar os próprios olhos, nariz e boca, lavar as mãos com frequência e cobrir a boca e o nariz quando for espirrar. O vírus não é transmitido pelo ar, mas por meio das secreções da pessoa doente.

O uso de máscaras de proteção não é indicado se não houver sintomas da doença, já que sua principal função é evitar que uma pessoa doente contamine outras ao tossir ou espirrar, por exemplo.

Veja abaixo perguntas e respostas sobre o coronavírus em viagens.

DEVO CANCELAR UMA VIAGEM POR CAUSA DO CORONAVÍRUS?

Depende. A recomendação do Ministério da Saúde é avaliar se a viagem para locais com muitos casos da doença, como a China e a Itália, é mesmo necessária. Não há uma recomendação expressa para não viajar neste momento.

NÃO QUERO MAIS VIAJAR PORQUE ESTOU COM MEDO DA DOENÇA. CONSIGO FAZER O CANCELAMENTO SEM CUSTOS?

Depende. O Procon-SP orienta passageiros com viagens à Itália ou a países que confirmaram casos de coronavírus, mas que não queiram mais fazê-las, a procurar o atendimento do órgão. Segundo eles, é preciso negociar com a empresa que efetuou a venda da viagem, que não pode se recusar a oferecer alternativas, como cancelamento, troca de destino ou mudança na data na viagem.

A Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens) afirmou que está trabalhando para que os fornecedores dos pacotes turísticos “não imponham restrições ou multas aos consumidores que preferirem alterar o destino ou período da viagem”, mas que as políticas de remarcações são de responsabilidades desses fornecedores.

Segundo a Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), há no momento muitos passageiros com dúvidas, mas não foi constatado aumento no número de cancelamentos de viagens.

É SEGURO FAZER UM CRUZEIRO NESTE MOMENTO?

O setor de cruzeiros é fortemente afetado por surtos de doenças porque o navio mantém milhares de pessoas isoladas e em contato constante.

Caso haja algum caso suspeito de coronavírus durante uma viagem, portos podem se recusar a receber o navio —aconteceu nesta semana com o navio MSC Meraviglia, que, por ter um membro de sua equipe com sintomas de gripe, não obteve autorização para parar na Jamaica e nas Ilhas Cayman.

As companhias estão alterando suas rotas na Ásia, para evitar os epicentros da doença.

A Costa divulgou um comunicado nesta quarta (26) afirmando que cancelou até o final de março os cruzeiros que partem da China. A empresa também afirmou que não vai receber hóspedes que venham das cidades italianas atingidas pela doença, nem qualquer pessoa que tenha viajado para a China, Hong Kong e Macau nos 14 dias anteriores ao embarque.

CORRO O RISCO DE ENCONTRAR ATRAÇÕES TURÍSTICAS FECHADAS POR CAUSA DO CORONAVÍRUS?

Sim. Nos locais com grande incidência da doença, o fechamento de espaços que reúnam muitas pessoas —caso de atrações como museus e parques de diversão— está acontecendo. Foi o caso da China, que teve sua Grande Muralha e a Disney de Xangai fechadas, além de outras atrações, e de Milão, que fechou museus e igrejas.

Os governos tomam essas decisões conforme os casos avançam, então pode ser difícil prever com semanas de antecedência se uma atração estará fechada.

HÁ FECHAMENTO DE FRONTEIRAS POR CAUSA DA DOENÇA?

Não. O que acontece é um maior controle sanitário das pessoas que entram e saem do país, com medição de temperatura, por exemplo.

ENTENDA COMO É FEITO O CONTROLE DA DOENÇA NOS AEROPORTOS?

Segundo a Anvisa (Agência Nacional da Vigilância Sanitária), o Brasil não adota a medição de temperatura do desembarque de passageiros em aeroportos, “tendo em vista a baixa efetividade desta medida para pessoas que estão em trânsito”.

Porém, a agência ressalta que as companhias aéreas têm autonomia para impedir o embarque de passageiros que apresentem uma ameaça à segurança do voo. “Esta é uma prerrogativa no campo da aviação e a autoridade neste caso é o próprio comandante da aeronave”, afirma.

A Anvisa indica que a tripulação de voos internacionais e os funcionários de aeroportos que tenham contato com os passageiros devem usar luvas e máscaras cirúrgicas.

Passageiros não precisam usar as máscaras, no momento. As máscaras ajudam a impedir que uma pessoa doente contamine quem estiver perto dela, ao tossir, por exemplo. Se você tiver sintomas da doença, deve utilizá-las. Outra indicação de uso é para quem cuida de uma pessoa com a doença. Caso contrário, a OMS não indica o uso —a utilização indiscriminada de máscaras pode acabar com estoques para quem realmente precisa usá-las.

VOOS PARA PAÍSES COM MUITOS CASOS DA DOENÇA ESTÃO CANCELADOS?

Em alguns casos, sim. A companhia aérea Emirates comunica que não está mais voando de Dubai, seu principal hub internacional, para Teerã, no Irã. Quem tiver comprado uma passagem com escala em Dubai e destino final em Teerã será impedido de embarcar no aeroporto de partida. A companhia também suspendeu seus voos para Guangzhou (Cantão) e Xangai, na China. Os passageiros podem solicitar o reembolso da passagem.

A Azul está disponibilizando reembolso integral da passagem para clientes que tenham voos marcados para a Itália, com conexão em Lisboa ou Porto. É preciso procurar os canais de atendimento da companhia.

Para voos que tenham a Itália como origem ou destino, emitidos até 23 de fevereiro para voar até o dia 15 de março, a Air Europa está permitindo a remarcação das passagens. A Delta está reduzindo temporariamente o número de voos entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul. A companhia também suspendeu todos os voos entre os Estados Unidos e a China, desde o dia 6 de fevereiro, até pelo menos 30 de abril. Quem for afetado, pode entrar em contato com a companhia para alterar a viagem ou solicitar reembolso. Já a Latam afirma que todos os seus voos estão operando normalmente.

SEGURO-VIAGEM COBRE INTERNAÇÃO E TRATAMENTO PARA O CORONAVÍRUS?

A Global Travel Assistance e a Assist Card, empresas que vendem esse tipo de seguro, informaram que cobrem o atendimento inicial em caso de suspeita da doença. Porém, a incidência de uma epidemia no local de destino não está entre os motivos que justificam cancelamento da viagem, nos contratos do seguro.

COMO ESTÁ O CONTÁGIO DA DOENÇA NA ITÁLIA?

O país já registrou 528 casos confirmados da doença, com 14 mortes. Há 11 cidades que são consideradas críticas, sendo dez delas na região da Lombardia, ao norte do país: Bertonico, Casalpusterlengo, Codogno, Castiglione d’Adda, Castelgerundo, Fombio, Maleo, Somaglia, Terranova dei Passerini, e Sanfiorano. A única de fora da região é Vo’Euganeo, no Vêneto. Milão, Roma e Veneza não estão entre as cidades na zona crítica.

Fonte: Folha Turismo

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